TEM NA NETLIX :: O Jogo da Imitação

Lançado em 2014, 'O Jogo da Imitação' é um filme muito bem criticado pelos especialistas e recebeu boas notas. Não por menos, esteve em diversas premiações importantes do cinema. Por sorte, o encontrei no catalogo da Netflix e resolvi conferir o tão elogiado drama podendo confirmar que nada do que é dito pela internet é falho. O filme é uma lição de vida e interpretação.

Baseado no livro "Alan Turing: The Enigma", escrito por Andrew Hodges, o longa é uma cinebiografia que conta a vida do matemático britânico Alan Turing. Nascido em 1912, possuía um conhecimento inestimável em lógica e ciência da computação. Sua inteligência e capacidade estratégica criaram uma máquina capaz de decifrar os códigos utilizados pelos alemães auxiliando os Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. Estudiosos afirmam que, com isso, a Guerra pode ser encurtada em dois anos e foi o ponta pé inicial para a criação do que conhecemos hoje como computador.

No entanto, Alan vivia grandes problemas pessoais e emocionais. Tímido, introvertido e homossexual, em uma Inglaterra da década de 40 onde ser gay era crime, Turing viveu grandes conflitos psicológicos até o final do seus dias. Com contra-pontos tão distintos entre o sucesso profissional e uma vida pessoal abalada, o drama poderia ser mais um filme que explora os conhecimentos pessoais, porém não o faz.

Logo no inicio somos apresentados ao matemático e sua busca em construir uma máquina capaz de  decifrar os códigos captados. E assim seguimos o primeiro ato do longa. Alan é questionado, desacreditado e por várias vezes quase perde a oportunidade de provar que sua ideia pode dar certo. Sua insistência e o encontro de uma equipe capaz de auxilia-lo faz com que nos cativamos pela historia e torcemos pelo exito. Sua homossexualidade aparece aos poucos, através de uso de flashbacks e só é completamente confirmada já no segundo ato.

A vida de Alan retrata exatamente como, até os dias atuais, muitas vezes a opção sexual de uma pessoa acaba se tornando algo mais importante do que sua inteligência ou capacidade de salvar vidas, como o caso do matemático. Por tanto, o roteiro acerta em não explorar sua homossexualidade de cara. A estratégia faz com que nos conquistemos pela pessoa e por sua luta pelo sucesso e somente depois o conhecer a fundo e entender suas reais motivações. Uma boa forma de mostrar a um público que negaria a ver o filme por ser uma história gay a tentar entender de maneira mesmo que suave que a comunidade lgbt pode contribuir e muito.

Turing é vivido por Benedict Cumberbatch que, sem medo de declarar, dá um show de interpretação. O ator consegue nos fazer ententer os dramas deste homem solitário e introspectivo apenas com olhar e gestual. Seus momentos de contenção da emoção diante das situações são uma verdadeira aula. Keira Knightley, que interpreta uma amiga de Alan, consegue se distanciar das atuações exageradas de outros trabalhos, e representa muito bem a mulher da década de 40 que deseja mais para a sua vida, porém é contida pelo machismo da época.

'Jogo da Imitação' pode se tornar pouco arrastado para alguns telespectadores, devido sua forma de contar a história de maneira leve e cada coisa em seu devido momento. No entanto, possui humor, drama e suspense na medida de um verdadeiro filme feito para o Oscar. Não por menos, merece as indicações em que recebeu da premiação e é uma ótima escolha para um final de semana construtivo e histórico.

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