Cinepédia:: O que é o teste de Bechdel?

Você já ouviu falar no teste de Bechdel? Como estamos na semana da mulher, não há nada mais justo do que falar de um teste que tem como objetivos, justamente, levantar um questionamento sobre a representatividade feminina no cinema.

Como surgiu?
Em 1985, uma cartunista chamada Alison Bechdel publicou um tirinha que trazia a reflexão sobre a representatividade, inspirada por uma conversa que tinha tido com a sua amiga, Liz Wallace. A tirinha consiste em um diálogo entre duas personagens femininas na porta de um cinema: Ao decidir que filme elas deveriam ver, três perguntas são levantadas:

1 - Na obra, há pelo menos duas mulheres?
2 - Elas conversam entre si?
3 - Nessa conversa, o assunto é um homem?

No fim, elas percebem que nenhuma das opções atendia aos três requisitos e decidem comer pipoca em casa.

A tirinha que originou o teste.

Qual a sua importância?
Precisamos lembrar que: O teste não é o método definitivo para saber se a obra tem boa personagens femininas ou não (A Ripley, de Alien, por exemplo, foi uma das personagens femininas mais fortes, mas seu longa não passa no teste já que ela não interage com outra mulher), mas a crítica presente nele é valida. Veja, uma pesquisa realizada pelo Geena Davis Institute on gender in media, divulgou que apenas 30,8% de personagens com falas nos filmes, são mulheres, e enquanto apenas 7% dos homens aparecem nus em tela, a porcentagem feminina é mais que o triplo: 28,8%.
E por trás das telas, a situação não é muito diferente. Pense na premiação mais famosa do mundo do cinema: O Oscar, em 2017, tivemos a 89º edição do evento, e em sua história, apenas quatro mulheres foram indicadas ao prêmio de melhor direção. Quatro! A primeira vez foi em 1976, Lina Wetmuller , depois Jane Campion em 1994,  Sofia Coppola em 2004 e Katheryn Bigelow, a única vencedora da história, em 2010. A quantidade de mulheres indicadas na história, não é o suficiente para sequer preencher a vagas da categoria em uma edição, já cinco diretores são indicados todos os anos.
Também vale lembrar que nunca uma mulher negra foi indicada, e que 77% dos votantes da academia, são homens.
Parafraseando o que Viola Davis disse em seu discurso do Emmy,  não dá para ganhar prêmios por papeis que não existem. 

Algumas personagens femininas que merecem sempre ser enaltecidas.

O teste de Bechdel pode parecer apenas três perguntas simples, mas pensar na quantidade de filmes que não cumprem esses três requisitos é assustadora. Felizmente, Hollywood está começando a correr atrás do prejuízo, com o surgimento de personagens como a Imperatriz Furiosa, Rey e Katniss Everdeen. Mas ainda há um longo caminho a ser trilhado, principalmente, nos bastidores.

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