La La Land e o peso das nossas escolhas

Atenção, esse texto é repleto de SPOILERS! Mas se você ainda não viu o filme, pode aproveitar e ler a nossa crítica sem revelações da trama clicando aqui. Te vejo lá!

La La Land, o filme roteirizado e dirigido por Damien Chazelle, é um dos maiores destaques da temporada de premiações americanas. Se tornou recordista ao ganhar 7 globos de ouro e 14 indicações ao Oscar, feito antes só conseguido pelos clássicos Titanic e A malvada. O musical saudosista já é um grande marco em Hollywood, mas o que faz La La Land ser tão cativante?
O longa conta a história de amor entre uma aspirante a atriz, Mia, interpretada brilhantemente por Emma Stone, e um músico fascinado por Jazz, o Sebastian de Ryan Gosling. Mas a chave do sucesso de La La Land não é a história, mas sim a maneira como ela é contada.
A química entre Emma e Ryan é primordial para nos fazer torcer pela sua união, mas não é tudo, toda a atmosfera do filme do filme é construída para nos dar uma visão mais otimista da interação entre os dois, podemos ver isso, por exemplo, na paleta de cores vibrantes que permeiam as cenas que constroem o relacionamento.
Dos figurinos, aos cenários, aos números musicais, tudo é pensado para fazer com que o amor romântico seja a idealização da felicidade, por isso que a primeira vista, pode parecer cruel o final em que os dois terminam separados, mas é exatamente isso que torna o filme mais incrível: A grandiosa história de amor contada em La La Land, só é grandiosa porque acaba.

As cores de La La Land
O filme retrata os sonhadores de Hollywood, aqueles que desejam viver da arte. Se conhecerem foi uma consequência na vida de Mia e Sebastian, o romance não era prioridade para os dois no momento, então, o encontro e o envolvimento acaba sendo um catalisador. Veja só, durante o período que estão juntos, os dois sofrem a tentação de se acomodarem e desistirem daquilo que queriam: Sebastian entra para uma banda que odeia, Mia volta para a casa dos pais e quase perde a audição que a levaria ao sucesso, o interessante é que é a presença de um na vida do outro que faz com que eles voltem ao seu curso natural, que voltem a lutar pelos seus sonhos.Mia confronta Sebastian na noite do jantar, mais tarde ele vai atrás dela para persuadi-la a ir em mais uma audição. Aqui, ainda, temos uma das cenas mais comoventes quando Mia diz "Talvez eu não seja boa o bastante". Quem nunca teve essa duvida durante a vida, que atire a primeira pedra.

O sorriso final, quando Mia e Sebastian se olham pela última vez, não é só de despedida, mas também de gratidão por tudo aquilo que viveram. Repare que essa é a unica cena do filme todo onde o figurino de Emma Stone é totalmente preto, simbolizando a vida real, o peso da frustração que os dois vão carregar por se amarem sem poderem ficar juntos, mas também saberem que não podiam desistir de si mesmos para viver pelo outro, por isso precisamos lembrar que, se eles decidissem levar o relacionamento adiante, teriam de lidar com a frustração de não alcançarem seus sonhos.  De uma forma, ou outra, precisamos aprender a lidar com as nossas escolhas, e entender aquele velho conselho da nossa mãe que dizia, "você não pode ter tudo"
Sempre haverá a duvida do que poderia acontecer, sempre haverá uma pequena frustração por perder algo em pró de ganhar outra coisa. Vamos pensar em uma analogia que faz parte do nosso cotidiano: o relacionamento de Mia e Sebastian foi o melhor episódio de uma série, mas não a temporada toda, e por mais que amemos bons episódios, sozinhos eles não são capazes de construir uma narrativa completa.
Talvez o sucesso de La La Land seja em parte, por nos ensinar a lidar com a vida real através de uma visão mais extravagante.


   
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About Bruna Cagnin Fernandez

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