O QUE ACHAMOS DE: Animais fantásticos e onde habitam

Animais fantásticos e onde habitam é o retorno do mundo magico de Harry Potter para as telas do cinema. Primeiro longa de uma série de cinco filmes, roteirizado pela própria J.K. Rowling, o filme se passa cerca de setenta anos antes da história do menino que sobreviveu. Vem conversar sobre esse filme, mas cuidado, se você ainda não assistiu volte aqui mais tarde. Teremos SPOILERS!




O que há de bom?
Uso esperto de câmera em primeira pessoa, mas o que mais chama atenção é a beleza do filme. A reconstrução de Nova York nos anos 20, os figurinos,  a ambientação, a nostálgia parece ir além do mundo da magia. O mundo bruxo apresentado anteriormente, apesar de se passar na atualidade, ainda mantinha sua aura com um que de antiguidade – escrever com penas, as roupas, etc, isso inserido em um contexto onde os hábitos do mundo humano se assemelham mais aos do mundo bruxo torna as coisas mais harmoniosas. Parece que estamos mais inseridos e mais próximos da magia, sensação também passada pelo personagem de Dan Fogler, Jacob. Ele é a visão otimista do fã inserido no longo. “Ah, o que é magia? Como assim? Mas isso é maravilhoso! Quero ser um bruxo” A falta de questionamentos e pronta aceitação é algo que poderia ser considerado forçado em outra situação, se torna agradável porque faz com que nos identifiquemos com ele. Afinal, foi assim que nos sentimos quando lemos os livros, não?
J.K Rowling tem o mérito de saber criar bons personagens, logo nos simpatizamos pelo desajeitado e carismático Newt Scamender, interpretado pelo ganhador do Oscar Eddie Redmayne e pela Tina Goldstein de Katherien Waterson, personagem igualmente forte e que tem seu próprio arco. Para fechar o quarteto de protagonista, há a Queenie de Alison Sudol (confesso que a minha favorita), que consegue passar inocência, força, fragilidade e sensualidade em um único sorriso. É uma pena que entre os quatro ela seja a que menos ganha desenvolvimento durante esse primeiro filme. Todos os outros transitam de um ponto de personalidade para outro, enquanto ela é a irmã e o interesse amoroso até o final do filme. (queremos mais Queenie na sequência!)

O que podia ser melhor:

Por que fazer uma cena que constrói toda uma rivalidade entre irmãos, como a do rapaz que leva a família de Credence para o jornal de seu pai, Henry Shaw, que não vai servir para nada? Ok, é a desculpa para o assassinato do senador e o estopim da crise, mas não seria mais completo se colocassem os membros da second salemers para confrontar diretamente o dono do jornal? Criar um conflito que é focado mais duas vezes durante o longa para ser desperdiçado parece uma forma preguiçosa de fazer roteiro, torcemos para que o irmão mais novo da família Shaw reapareça futuramente para fechar seu arco e eu morda minha língua por chamar J.K. Rowling de preguiçosa, ou será um tremenda ponta solta.  Esses detalhes, particulamente, me deixam muito mais curiosa do que desapontada com o filme, mas vale lembrar de um coisa importante: Sim, é um universo expandido e sim é uma franquia de muito sucesso, mas ninguém é obrigado a ler artigos no Pottermore para saber de desfechos para situações apresentadas no filme. Ainda é um blockbuster,   portanto não pode ser direcionado a um público de nicho. As coisas que são apresentadas nesse filme, precisam ser resolvidas ao longo dessa nova saga.

Amiga, assim não tem como te defender.

Há tantos arcos interessantes no filme, é uma pena que a transição não encontre um tom uniforme. É muito destoante estarmos imersos no dilema do desajeitado Newt e seu amigo trouxa Jacob e de repente sermos inseridos em algo muito mais pesado como o arco de Credence e sua mãe. Mesmo que Ezra Miller consiga despertar toda a nossa compaixão com o seu sofrimento e  Samantha Morton bote muito mais medo do que o real vilão do filme, é quase como se fossem clipes inseridos dentro da obra e não um único longa. Todo o filme tem um tom amarelado e subitamente há toda aquela escuridão colocada sem nenhuma sutileza de David Yates. São cenas de Carrie a Estranha (e digo isso ainda comparando com a versão boa e não os remakes) dentro de Harry Potter.
E também precisamos de justiça para Credence, como dizem que alguém foi forte o suficiente para aguentar o Obscurus e dez minutos depois é morto tão facilmente?  Sério! 

Conclusão: Animais fantásticos e onde habitam é um pato cheio para os fãs da saga Harry Potter e também é capaz de entreter o grande público.
nota: 8,5/10

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About Bruna Cagnin Fernandez

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